Segunda-feira, 29 de Fevereiro de 2016

A VIDA NUMA MALA - Cristina Dangerfield-Vogt e Svenja Länder

A VIDA NUMA MALA

 

2ª edição / 2nd edition / 2. Auflage / 2 inci basım / 2 ème edition

 

 

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A questão das Migrações, definidas como movimentos migratórios de pessoas entre vários países e regiões à procura de melhores condições de vida, ou para fugir à repressão e à guerra, é uma constante da História da Humanidade. Em A VIDA NUMA MALA, Armando Rodrigues de Sá e Outras Histórias, as aventuras de migração dos vários viajantes, vindos do Oriente e do Ocidente e que se encontram no porto de abrigo - Alemanha, são contadas pelos próprios no palco que as autoras criaram para este fim no projecto. Paralelamente, Cristina Dangerfield-Vogt e Svenja Länder descrevem e analisam as circunstâncias históricas, sociais, políticas e culturais que enformaram estas grandes vagas de emigração portuguesa, e também turca, nos anos 60, na direcção do centro da Europa, debruçando-se, por fim, sobre os movimentos migratórios actuais. Um desconhecido em Portugal, Armando Rodrigues de Sá é um símbolo da imigração na Alemanha que as autoras quiseram dar a conhecer a um público mais vasto. É deste símbolo criado pelos alemães que a jornalista e a historiadora partiram à procura dos testemunhos da família de Sá e de outros viajantes fazendo a ponte para os refugiados hoje. Ilustrado com cerca de 40 fotografias originais, a maioria inédita, e um glossário que acompanha as línguas do Oriente ao Ocidente até ao seu encontro na Alemanha.  A Vida Numa Mala é um livro que, sempre em viagem, conta histórias de viagens, passadas e presentes, dos muitos viajantes que do Ocidente e do Oriente se põe a caminho rumo à Alemanha com uma mala plena de ilusões. É também o primeiro livro dedicado a Armando Rodrigues de Sá em Portugal e na Alemanha.

 

 

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José Luís Carneiro, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas,

com Cristina Dangerfield-Vogt, na recepção na Embaixada de Portugal em Berlim, Alemanha,

no dia 21 de Março de 2016. (primeira visita oficial a Berlim do novo secretário de estado)

 

Cristina Dangerfield-Vogt with Portuguese Secretary of State for the Portuguese Commonwealth

at reception that took place at the Portuguese Embassy in Berlin, Germany, on 21.03.2016

 

(courtesy of Victor Pinto, Press Officer for the Secretary of State for the Portuguese Commonwealth)

 

 

Eco nos Media sobre «A Vida Numa Mala»

 

Artigo de fundo no Jornal i do jornalista Nuno Ramos de Almeida, na edição impressa, 9 de Maio de 2016 (4 páginas) e também publicado online:

http://ionline.sapo.pt/510173?source=social

 

Várias entrevistas conduzidas pelas jornalistas Susana Lemos e Paula Machado, transmitidas em vários programas da RTP, incluindo os noticiários, sobre a «A Vida Numa Mala» durante 2016 e 2017.

 

Entrevista à Radio France – Setembro 2016

 

Entrevista à Luso Press TV – Setembro 2016

 

Recensão do deputado Paulo Pisco no Luso Jornal, Paris, Setembro 2016

 

Entrevista com a Lusa -  Paris sobre «A Vida Numa Mala», Setembro 2016

 

Artigos no Luso Jornal, Paris, Setembro 2016

 

Recensão pelo Deputado à Assembleia da República, Paulo Pisco, no Portugal Post

 

Recensão de Luísa Coelho, Leitora do Instituto Camões em Berlim, no Portugal Post


 

Artigo de fundo no jornal turco, Zaman:

«Armando Rodrigures de Sá - Valiz Içinde bir Hayat»

http://zaman-online.de/armando-rodrigues-de-sa-ve-valiz-i%C3%A7inde-bir-hayat-243884

 

Vídeo da entrevista com o jornal Deutsch Türkische Nachrichten no dia 7 de Abril de 2016:

Das Gesicht der ersten Gastarbeiter und "das Leben im Koffer"

https://www.youtube.com/watch?v=p83qZN5w1v8

 

Artigo de fundo no jornal Deutsch Türkische Nachrichten online

«Die ersten Gastarbeiter und das Leben im Koffer»

http://dtj-online.de/die-ersten-gastarbeiter-und-das-leben-im-koffer-73927

 

Artigos de fundo no jornal Portugal Post, edição impressa, de Abril 2016 e online e mais tarde, sobre a segunda edição

http://www.portugalpost.de/p%C3%A1gina-inicial/a-vida-numa-mala-livro-sobre-a-emigra%C3%A7%C3%A3o-na-alemanha-faz-a-ponte-entre-o-passado-e-o-presente/

 

Entrevista à Lusa - Berlim om Sara Rocha (agora na TSF) e artigos sobre «A Vida numa Mala» e os lançamentos do livro em vários países, no Diário de Notícias e outros jornais

 

 

 

Lançamento e Apresentações

 

Lançamento em Berlim, dia 7.04.2016, na Embaixada de Portugal, em colaboração com o Instituto Camões, com a presença do Embaixador, João Mira Gomes, o Deputado Paulo Pisco, o actor Vasco Esteves, Anna Stieblich, e as autoras

 

no Porto, no Mira Forum, apresentação de Manuela Matos Monteiros, música e acompanhamento de guitarra com Gizem Tüğce, em colaboração com a Associação de Amizade Luso-Turca do Porto

https://www.youtube.com/watch?v=wSM_FL9oX5g

 

em Lisboa, no Goethe Institut, em colaboração com a Friedrich Ebert Stiftung, e a presença do seu Director, Reinhard Naumann e do deputado Paulo Pisco

 

em Hamburgo, na Universidade de Hamburgo, em colaboração com o Instituto Camões e o Consulado de Portugal, com a presença da Cônsul, Luísa Pais Lowe

 

em Aachen, na Universidade Técnica de Aachen, no âmbito de um colóquio de dois dias sobre Migrações na Europa (Migrations in Europe)

 

em Paris, no Consulado de Paris, com a presença do Cônsul Geral, António Moniz, do Deputado Paulo Pisco, e do Director do Luso-Jornal

 

a 2ª edição de «A Vida Numa Mala» foi apresentada em Berlim, na Sete Mares, com o actor Vasco Esteves

 

em 2017:

 

«A Vida Numa Mala» esteve

 

no Festival de Teatro Odyssee, em Bremerhaven,  em Junho, com Svenja Länder e Vasco Esteves

 

e na Feira do Livro de Lisboa em Maio, com Cristina Dangerfield-Vogt

 

e também em Frankfurte, na Livraria TFM, no dia 25 de Abril, com a presença das autoras

 

no festival Tanto Mar, na Univerisdade de Colónia, em 18 de Novembro, com Svenja Länder

 

e na Festa de Natal dos Portugueses (um evento Berlinda), em 10 de Dezembro, com Cristina Dangerfield-Vogt

 

No dia 14 e 15 de Dezembro «A Vida Numa Mala» vai estar na Feira do Livro, organizada pelo Instituto Camões em Berlim, no Kunstraum Botschaft - Portugal, onde poderá adquirir o seu exemplar.

 

 

 

Resumo:

 

A questão das Migrações, definidas como movimentos migratórios de pessoas entre vários países e regiões à procura de melhores condições de vida, ou para fugir à repressão e à guerra, é uma constante da História da Humanidade. Em «A VIDA NUMA MALA», Armando Rodrigues de Sá e Outras Histórias, as aventuras de migração dos vários viajantes, vindos do Oriente e do Ocidente, e que se encontram no porto de abrigo - Alemanha, são contadas pelos próprios no palco que as autoras criaram para este fim no projecto. Paralelamente, Cristina Dangerfield-Vogt e Svenja Länder descrevem e analisam as circunstâncias históricas, sociais, políticas e culturais que enformaram estas grandes vagas de emigração portuguesa, e também turca, nos anos 60, na direcção do centro da Europa, debruçando-se, por fim, sobre os movimentos migratórios actuais. Um desconhecido em Portugal, Armando Rodrigues de Sá é um símbolo da imigração na Alemanha que as autoras quiseram dar a conhecer a um público mais vasto. É deste símbolo criado pelos alemães que a jornalista e a historiadora partiram à procura dos testemunhos da família de Sá e de outros viajantes fazendo a ponte para os refugiados hoje. Last but not least, o Leitmotiv deste livro, em dois tempos, e a duas mãos, é a viagem de comboio efectuada por Armando Rodrigues de Sá, de Lisboa para Colónia, em 1964, viagem esta que a historiadora, Svenja Länder, e António de Sá, neto de Armando, voltaram a fazer em 2014. As fotografias que ilustram «A VIDA NUMA MALA» conferem ao projecto uma visualidade especialmente marcante e impossível de ignorar, ficando bem clara a mensagem que as autoras quiseram passar:

 

«que o Mundo é de todos e que há lugar para todos»

(citado do comentário de José António Cerejo, Grande Repórter do Público, sobre o projecto de livro «A VIDA NUMA MALA»).

 

Actualmente estamos a procurar apoios para publicar "A Vida Numa Mala" em alemão.

We are looking for sponsors for publishing "A Vida Numa Mala" in German.

Wir suchen sponsoren um das Buch "A Vida Numa Mala" auf Deutsch zu veröffentlichen.

 

Articles on "A Vida Numa Mala" and authors, Cristina Dangerfield-Vogt and Svenja Länder, in German and Turkish.

(There were several articles written in Portuguese, in and outside Portugal)

 

 „A Vida Numa Mala“: Geschichten und Analysen zur Arbeitermigration

Das Gesicht der ersten Gastarbeiter und „das Leben im Koffer“

Vor über 50 Jahren kam der millionste Gastarbeiter am Bahnhof Köln-Deutz an und wurde mit Nelken, einem Moped und Blitzlichtgewitter empfangen - dies gab nicht nur den Gastarbeitern ein Gesicht, es bot nun auch die Idee für ein Buch.

Von: ,

Die Einwanderung der ersten Gastarbeitergeneration nach Deutschland hat lange Zeit kaum die Aufmerksamkeit der deutschen Mehrheitsgesellschaft auf sich gezogen. Viele sahen darin ein vorübergehendes Phänomen, andere wiederum gingen davon aus, dass ihre Integration ein Selbstläufer sein wird. Allen aber war wichtig, dass der Wohlstand durch den Beitrag der Gastarbeiter gehalten werden konnte.

Diese mangelhafte Einstellung hat der Schweizer Schriftstelle Max Frisch mit dem historischen Satz „Wir haben Arbeiter gerufen, es sind aber Menschen gekommen“ kurz und knapp auf dem Punkt gebracht. Einer dieser Menschen war der damals 38 jährige Portugiese Armando Rodrigues de Sá, der im September 1964 nach Deutschland kam. Im Gegensatz zu den anderen Gastarbeitern gelangte de Sá zu unbeabsichtigter Berühmtheit, weil er von der deutschen Wirtschaft als der „millionste Gastarbeiter“ auserkoren wurde. Das machte ihn in der deutschen Presse kurzzeitig zum Star. Eine offizielle Delegation empfing ihn am Bahnhof Köln-Deutz: Mit einem Strauß Nelken, einer Ehrenurkunde sowie einem Zündapp-Moped hießen sie de Sá feierlich willkommen.

Es handelte sich dabei um eine Aktion des Arbeitgeberverbandes, der an einem positiven Image der Gastarbeitereinwanderung  interessiert war. Bereits damals gab es Widerstand aus Teilen der Mehrheitsgesellschaft. Der 1926 geborene Armando Rodrigues de Sá ging nach einigen Jahren wieder zurück nach Portugal. Er starb am 5. Juni 1979 im Alter von 53 Jahren.

Nach über 50 Jahren beschäftigen sich die Autorinnen Cristina Dangerfield-Vogt und Svenja Länder in ihrem Buch  „A Vida Numa Mala – Das Leben im Koffer“ mit der Geschichte von de Sá und anderen Gastarbeitern aus den sechziger Jahren. Der deutschen Historikerin Svenja Länder zufolge hat der bei der Einreise 38-jährige Portugiese der ersten Gastarbeitergeneration ein Gesicht gegeben: „Unsere Idee für das Buch entstand, als ich im September 2014 mit dem Enkel des ein-millionsten Gastarbeiters Armando Rodrigues de Sá aus Vale de Madeiros, einem kleinen Dorf im Nordosten Portugals, antrat, und uns das zu den Feierlichkeiten zum 50-jährigen Jubiläum in Köln führen sollte.“ Den Kontakt mit ihrer Co-Autorin Cristina Dangerfield-Vogt nahm sie vorher per Facebook auf. Von ihr und dem Enkel stammen die Gesprächsthemen für die gemeinsame Reise durch mehrere Ländern: „Die Grundidee des Buches sollte sein, eine Reise durch die Vergangenheit zu machen, während die Reise in der Gegenwart parallel stattfindet“, sagt Länder.

Das vorerst nur auf Portugiesisch erschienene Buch, in dem neben den Geschichten portugiesischer auch die türkischer Gastarbeiter erzählt werden, haben die beiden Autoren im Portugiesischen Kulturhaus in Berlin der Öffentlichkeit vorgestellt. Über die Gründe, auch türkische Gastarbeiter in das Buch aufzunehmen, sagt Dangerfield-Vogt: „Es gibt viele Ähnlichkeiten zwischen beiden Einwanderungsgruppen. Eine von ihnen ist die große Vergangenheit, auf die beide Völker blicken. So wie die Osmanen sahen sich auch die Portugiesen als Erben einer prachtvollen Vergangenheit.“

Eine andere Ähnlichkeit seien die politischen Umstände, unter denen die Abkommen für die Gastarbeitermigration mit Deutschland abgeschlossen wurden. In Portugal herrschte 1964, dem Jahr, in dem das Abkommen unterzeichnet wurde, die Diktatur von António de Oliveira Salazar. In der Türkei hatten die Militärs im Jahre 1960 geputscht und den demokratisch gewählten Ministerpräsidenten Adnan Menderes sowie zwei weitere Minister hingerichtet. Das Abkommen mit der Türkei wurde am 30. Oktober 1961 unterzeichnet. Auf die politischen Umstände der 1960er Jahre ging der Gastredner des Abends, der portugiesische EU-Abgeordnete Paulo Pisco, ein. Er bemängelte, dass es in Portugal immer noch kein Nationales Museum für Migration gibt, obwohl viele Portugiesen nach knapp 50 Jahren ihre Heimat wieder verlassen. Die letzte Zählung ergab 134.000 Portugiesen in Deutschland. Diesmal ist der Auslöser jedoch kein „Wirtschaftswunder“ in Deutschland, sondern die  Finanzkrise, unter der Portugal neben Griechenland und Spanien besonders zu leiden hat.

Im kleinen Saal, in dem das Buch vorgestellt wurde, drängten sich die Zuhörer Schulter an Schulter. Neben portugiesischen und deutschen Gästen waren auch Berliner Türken anwesend. Ein Thema der Diskussion war, wie die Einwanderung Deutschland verändert hat. Beide Autorinnen stellten dabei nicht nur auf den großen Beitrag der Gastarbeiter für die deutsche Wirtschaft heraus und vertraten die Meinung, dass die Einwanderer das Land im Herzen Europas –  unabhängig davon, aus welchem Land sie kamen – nachhaltig geprägt haben. Und zwar positiv: „In Deutschland findet ein toller Dialog zwischen den Kulturen und Religionen statt. Das Land ist durch die Einwanderung viel bunter geworden. Die Gastarbeitereinwanderung hatte zur Folge, dass Strukturen für die Integration aufgebaut wurden, auf die man jetzt in der Flüchtlingspolitik zurückgreifen kann. Sie werden die Integration der Flüchtlinge erleichtern“, sagen sie gegenüber DTJ.

Durch die Umayyadenherrschaft auf der iberischen Halbinsel, das berühmte Al-Andalus, wurden die Portugiesen auch von der arabischen Kultur geprägt. Die Ummayyaden und ihre Nachfolger herrschten dort vom 8. bis 15. Jahrhundert. Dieser Einfluss ist auch erkennbar am Namen des portugiesischen Verlags Oxála, bei dem das Buch erscheinen ist. Oxála heißt auf Deutsch  „Hoffentlich“. Es kommt von der arabischen Wendung „Inschallah“- So Gott will. Dangerfield-Vogt dazu: „Das hat uns oft bei der Arbeit mit diesem Buch begleitet. Und jetzt ist es da!“

 

Von: ,  in Deutsch Türkischen Nachrichten

http://dtj-online.de/die-ersten-gastarbeiter-und-das-leben-im-koffer-73927

 

 

 

İş göçü tarihine farklı bir bakış

Armando Rodrigues de Sá ve “Valiz İçinde Bir Hayat“

 

Günümüzde yaşanan olayları doğru anlamanın en önemli yollarından biri de tarihe bakmak. 1960’lı yıllarda başlayan iş göçü uzun zaman Alman toplumunun dikkatini çekmedi bile. Bir çoğu için olay zaten geçici bir olgu idi. Onlara göre gün gelecek,  „misafir işçilerin – Gastarbeiter” misafirliği bitecek ve ülkelerine geri döneceklerdi.

Bir başka kesim için ise çoğunluğu itibari ile taşradan gelen bu insanların Alman toplumuna uyumu sorunsuz gerçekleşecekti. Kısacası konuyla ilgilenmeye değmezdi. İstisnasız herkesin ortak bir beklentisi vardı; o da misafir işçiler sayesinde İkinci Dünya Savaşı esnasında yerle bir olan Almanya’da 1950lı yıllarda yakalanan refahın korunması ve zenginliğin artması idi.

Misafir işçiler buna katkı sağladıkları müddetçe ve sosyal hayatta da fazla görünür olmadıklarına sürece sorun yoktu. Refahın garantörü Almanya’nın yeni sakinlerine bu ilgisizliği dönemin önemli yazarlarından İsviçreli Max Frisch şu veciz cümle ile özetlemişti: ‚Biz iş gücü davet ettik, ama insanlar geldi.”

Bu insanlardan biri de diğer misafir işçilere göre ileri yaşta olan  Armando Rodrigues de Sá idi.  38 yaşındaki Portekizli Sa 1964 yılında Köln-Deutz tren garına indiğinde hiç beklemediği bir sürprizle karşılaşır. Bir basın ordusunun eşliğinde Alman İşverenler Birliği heyeti Sa’ya ‚Almanya’ya hoş geldin’ der ve kendisine üç hediye takdim eder: Bir buket karanfil,  Zündapp marka bir motosiklet ve bir onur belgesi.  Bu kadar ilgi beklemeyen Sa’ya verilen üçüncü hediye ise bir onur belgesi.  Alman işverenler kendisini ‘bir milyonuncu misafir işçi’ olarak kayda girmiş ve bunu bir basın kampanyası eşliğinde kamuoyuna duyurmak istiyorlardı.

.. ve 50 yıl sonra

Aradan 50 yıl geçtikten sonra Sa bu sefer biri Alman diğer Portekiz iki yazarın gündemine girer. Bunlardan biri uzun yıllar Türkiye’de yaşadıktan sonra Berlin’e yerleşen Cristina Dangerfield-Vogt diğer ise  tarihçi Svenja Länder. Birbiri ile sosyal medya üzerinden tanışan iki yazar „A Vida Numa Mala – Valiz İçinde Bir Hayat“ isimli kitaplarında 1979 yılında döndüğü memleketinde vefat eden Sa’nın hikayesini anlatmakla kalmaz,  günümüze  taşır.

Länder Sa’nın göçmenlere bir yüz  ve kimlik verdiğini belirterek kitap hakkında şunları söyledi: „ Kitaba Sa’nın 50 yıl önce yaptığı tren yolculuğu ilham kaynağı oldu. Ben de Eylül 2014’te bir milyonuncu misafir işçi olan Sa’nın torunu ile doğum yeri olan  Vale de Madeiros köyünden Portekiz iş göçünün 50. yıl kutlamalarının yapıldığı Köln’e  yolculuk yaptım. Bu yolculukta konuştuğumuz ve değerlendirdiğimiz konular kitapta yer alıyor“  Cristina Dangerfield-Vogt Portekiz’in güney doğusundaki bir köyde başlayan ve Köln’e varıncaya kadar bir çok farklı ülkede uğrak yapan  yolculukta ele alınacak konular hakkında yardımcı olmuş.

Ne de olsa ele alınacak konu sadece 53 yaşında vefat eden Sa’nın hayatı değil:  „Niyetimiz kitapta iki yoluculuğa aynı anda yer vermekti. Bir taraftan bundan 50 yıl önce Sa’nın tek başına Portekiz’den Almanya’ya gelişi var diğer tarafta ise bugün olaya bizim bakışımız. Bunlar iki farklı şey.”

 

Şimdilik sadece Portekizce yayınlanan kitabı ilginç kılan sadece bu değil.

Yazarlar ilk defa bir milyonuncu misafir işçinin hikayesini anlatırken aynı dönemde Almanya’ya gelen Türk gurbetçilerin hikayesini unutmadıkları gibi Almanya gündeminin en önemli tartışma konusu olan mültecilere de yer vermişler.

Neden Portekizlerle beraber Türklere de yer verdikleri sorusuna Dangerfield-Vogt şu cevabı veriyor: „Bu iki göçmen grubu arasında çok benzerlikler var. Bunlardan biri iki milletin de şanlı bir geçmişe bakıyor olmalarıdır. Türklerde olduğu gibi Portekizler de kendilerini parlak bir geçmişin varisleri olarak görüyor.“

Benzerlik bununla sınırlı değil. İki ülkeden Almanya’ya göçün gerçekleştiği yıllardaki siyasi şartlarda da benzerlik var. Almanya’nın Portekiz ile anlaşmayı   imzaladığı 1964 yılında Lizbon’da António de Oliveira Salazar yönetiminde bir diktatör rejim vardı.

Türkiye’de de iş göçü anlaşmasından bir yıl önce ordu darbe yapmış ve Başbakan Adnan Menderes ile iki bakanı idam etmişti. Kitabın tanıtıldığı Berlin’deki Portekiz Kültür Merkezinde göçün gerçekleştiği dönemdeki siyası şartlara AP Milletvekili Paulo Pisco değindi.

Aradan on yıllar geçmesine rağmen Portekiz’de halen ulusal bir göç müzesinin olmadığını ifade eden Pisco günümüzde  yeni göçlerin yaşandığını altını çizdi. Bu seferki göçün sebebi Alman ekonomi mucizesi değil, Akdeniz ülkeleri ile birlikte Portekiz’i de etkisi altına alan mali kriz.

Programın yapıldığı küçük salon son sandalyesine kadar doluydu. Misafirler arasında Alman ve Portekizliler dışında  Berlinli Türkler de vardı.  Kitaptan parçaların okunduğu akşamda önemli tartışma konularından biri de mülteci konusu idi.

Kitabın yazarları mülteci konusunun ‘sorun’ olarak tanımlanmasını doğru bulmuyor: “Almanya’da kültürler arasında  insanı kendine hayran bırakacak şekilde bir diyalog yaşanıyor. Göç geçeği Avrupa’nın kalbinde yer alan Almanya’yı olumlu anlamda değiştirdi.

Bu tespit sadece ülkenin ekonomisi için geçerli değil. Almanya daha renkli ve canlı oldu. Ayrıca bundan 50 sene önce başlayan işçi göçü sayesine Almanya bugün mültecilerin ülkeye uyumunda faydalandığı alt yapıyı oluşturdu.

Biz mültecilerin Almanlarla ortak yaşamının kendilerine ‘misafir işçi’ olarak bakılan insanlardan daha başarılı geçeceğine inanıyoruz.“

SÜLEYMAN BAĞ in Zaman online

03.05.2016 20:22

 

 


publicado por Cristina Dangerfield - Jornalista às 10:25
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

O Jardim dos Justos - Lembrar a Salvação dos Judeus ao longo dos séculos

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O Jardim dos Justos em Yad Vashem - Jerusalém
(by courtesy - all rights reserved)

Estórias de Compaixão que ficaram na História

Muitos foram os holocaustos sofridos pela Nação Judaica. E muitos foram aqueles que os tentaram evitar e salvar os Judeus. Não esqueçamos os Valentes da nossa história da Humanidade.

No passado dia 27 de Janeiro do corrente ano, lembrou-se no Dia Internacional do Holocausto, os Judeus assassinados pela Intolerância. É uma data importante que nos lembra uma história trágica que nunca se deverá esquecer. A história da intolerância europeia - cristã - que marca a sua cultura ao longo de muitos séculos (e que alguns têm o mau gosto de designar por Leitkultur). Os Judeus sempre foram perseguidos neste continente. O anti-semitismo sempre foi uma componente marcante da cultura europeia.

Não esqueçamos porém as histórias de luz (nur) no meio desta escuridão. Muitos foram também aqueles que lutaram contra este estado das coisas contribuindo com mais alguns milagres para a história Judaica. Muitos foram os Judeus salvos que encontraram refúgio noutras paragens.

E, por isso, é bom lembrar no Dia Internacional do Holocausto aqueles que se foram, aqueles que sofreram às mãos dos seus carrascos, mas não esqueçamos, nunca, de lembrar aqueles que já não estão entre nós e que arriscaram as suas vidas para socorrer os Judeus perseguidos. Os Honoráveis na História Judaica mencionados no Museu do Yad Vashem em Jerusalém. Seria bom que todos aqueles que contribuíram para mais uns milagres de salvação do povo judaico fossem lembrados e honrados naquele importante monumento contra o esquecimento.

Contra o esquecimento, lembro o maior porto de abrigo da nação judaica - O Império Otomano. Lembro os diplomatas turcos que salvaram a vida de várias centenas de Judeus nos tempos da perseguição hitleriana, permintindo-lhes chegar sãos e salvos a Istambul no Expresso do Oriente.


Para os interessados, não deixem de ler o meu artigo de fundo publicado 
no jornal Portugal Post em Maio de 2014


"O Êxodo dos Judeus Sefarditas para o Império Otomano" 



Photo by courtesy of Izzet Pinto, CEO Global Agency, film distributor, all rights reserved

http://www.portugalpost.de/2014/05/21/o-%C3%AAxodo-portugu%C3%AAs-para-o-imp%C3%A9rio-otomano/

E ainda o texto que se segue, publicado no

Portugal Post online de Janeiro de 2012


"A propósito do Dia Internacional do Holocausto"

Num evento organizado pelo Congresso Europeu Judaico, que teve lugar na véspera do Dia Internacional do Holocausto de 2012, na sede da União Europeia em Bruxelas, o Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schultz, afirmou que “os alemães de hoje não são os culpados do holocausto, mas são responsáveis por manter viva a sua memória”. Por sua vez, o Presidente do Congresso Europeu Judaico, Moshe Kantor, exortou a Europa “a reconhecer o Mal e a prevenir a sua ressurreição”.

Turquia lembra o Holocausto
Por ocasião do Dia Internacional do Holocausto, o Ministro turco dos Negócios Estrangeiros, afirmou que “devemos lembrar e honrar os mais de 6 milhões de judeus e membros das minorias que perderam as suas vidas nesta tragédia humana. Este dia, deve guiar-nos para uma cultura da compreensão mútua, tolerância e co-existência e, neste contexto, é importante aprender a lição e combater o racismo, a xenofobia e o anti-semitismo”. Durante a visita à sinagoga de Neve Shalom, em Istambul, o embaixador Tezgör pediu a monitorização séria da islamofobia e da xenofobia que são - “ameaças crescentes na Europa”. Terminou dizendo que partilha “a dor deste povo escolhido como alvo pela sua identidade.”.

A televisão estatal turca TRT transmitiu o filme “Shoa” de Claude Lanzmann no âmbito da campanha que visa promover o entendimento entre Judeus e Muçulmanos no país. O realizador francês afirmou ser “um acontecimento histórico” por ser a primeira vez que uma televisão estatal de um país muçulmano mostra este filme.

A Alemanha e os seus “ingénuos”
Recentemente, a revista alemã Stern revelou os resultados de uma sondagem, feita a mil e duzentas pessoas, que revelou que, um em cada cinco jovens alemães não sabe que Auschwitz foi um campo de morte nazi e um terço destes desconhece que Auschwitz é hoje na Polónia.
Estes resultados são preocupantes, sobretudo, sabendo que nas escolas alemãs o Holocausto e a sua literatura integram o programa escolar a partir do 7º ano.
No passado mês de Novembro, a nação alemã reagiu atónita às notícias sobre os terroristas neonazis e a infiltração pouco transparente das suas células pelos defensores da Constituição do País que, apesar dos malabarismo de corda bomba na fronteira da (i)licitude, não conseguiram evitar o assassínio de cidadãos alemães de origem turca.

Os judeus na Alemanha
O jornal israelita Haaretz surpreendeu recentemente com o título “Bem-vindo à comunidade judaica que está a crescer mais no mundo: Alemanha”. Segundo Seligmann, o editor do “Jewish Voice from Germany”, 100 000 Judeus estariam registados na comunidade, embora, na realidade, esse número possa já ir no dobro. Segundo o editor daquele jornal, se contarmos todos os judeus que vivem, actualmente, na Alemanha, estaríamos perto dos 250 000 (incluindo judeus alemães, russos, israelitas e americanos) – ou seja, metade do número de judeus que viveram neste país antes da Shoa.

Mas quem é Seligmann?
É um judeu israelita que veio para a Alemanha com os pais em 1957. Para ele foi um trauma deixar Israel; mas para os seus pais foi voltar à pátria de que tinham fugido vinte anos antes. Jornalista com artigos publicados no Spiegel, Bild, Die Welt e FAZ, e autor de seis romances, Seligmann foi o primeiro autor judeu a publicar um romance após a Segunda Guerra Mundial. Ele é também o editor da recentemente criada publicação judeo-alemã “The Jewish Voice from Germany”, cuja primeira edição, com uma tiragem de trinta mil exemplares, foi lida por 150 000 leitores na Alemanha, USA, Canadá, Reino Unido e Israel.

No editorial da primeira edição, Seligmann diz que o seu sonho “é o renascimento da vida judeo-alemã na Alemanha. Albert Einstein, Thomas Mann, Theodor Mommsen e Max Liebermann simbolizaram um florescimento único das artes, da cultura e da economia na Alemanha do seu tempo.”

Apetência pela capital
Em Berlim-Mitte ouve-se muito o hebraico falado por turistas israelitas de visita e pelos seus filhos que vieram passar uns anos nos bairros “in” da capital – Berlim está na moda entre os jovens israelitas. Assiste-se à retoma da vida judaica na capital: as sinagogas e as “yeshivas” são restauradas às suas antigas funções, maestros judeus dirigem orquestras de nomeada internacional na capital, os intelectuais judeus retomam visibilidade, abriu um restaurante israelita na fronteira com Prenzlauerberg e há mesmo uma discoteca israelita cheia de jovens “sabras”. Num artigo do referido jornal conta-se a história de milhares de israelitas em Berlim e numa foto vê-se quatro israelitas embrulhados em bandeiras alemãs e israelitas com o título “aprender a conhecermo-nos”!

Segundo declarações recentes do Ministro do Interior alemão, apesar do decréscimo do número de neonazis, regista-se o alastramento das actividades da extrema-direita e o aumento do seu potencial de violência, de que a comunidade judaica também é alvo. Porém, esta comunidade fervilha novamente de criatividade e de optimismo e contribui significativamente não só para a vida cultural da nação como para os cofres da “sexy e pobre” cidade através do turismo oriundo de Israel e da Diáspora.

Mas não esqueçamos nunca as circunstâncias históricas e factuais que levaram à tipificação do crime de genocídio após a Segunda Guerra Mundial, e lembremos, não só hoje, mas durante todo o ano, as vítimas e o desvario de um líder e dos seus correligionários que quiseram assassinar uma nação inteira por ser diferente. Na sociedade alemã existem muitos cidadãos diferentes: os muçulmanos, os judeus, os africanos, os asiáticos, inter alia. Infelizmente, nem todos os alemães foram ganhos para a causa do multiculturalismo. Para evitar uma repetição da História, e não só como farsa, há que reunir todos os grupos sociais e religiosos, a sociedade civil e o governo para combaterem, juntos, o fenómeno do “neonazismo” que ameaça o país e que, recentemente, tanto chocou a nação.

O Dia Internacional do Holocausto é um dia de reflexão e de aprendizagem com os erros do passado. E deveria ser um incentivo para lutarmos por um futuro mais harmonioso, pelo entendimento entre os povos e as suas culturas, e pela tolerância no mundo."

Cristina Dangerfield-Vogt
 Berlim, Janeiro 2012 – publicado no jornal Portugal Post online



And last but not least, e para terminar, um artigo publicado no Boletim de Notícias, em Janeiro de 2012, sobre o filme-documentário - "Turkish Passport" 



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A propósito do Dia Internacional do Holocausto

“Quem salva uma vida, salva o mundo”
 é uma frase comum ao Talmude e do Alcorão

filme Passaporte Turco, do realizador Burak Arliel, conta-nos a história dos diplomatas turcos em missão na Europa que ao conferir a nacionalidade turca a muitos judeus os salvaram de uma morta certa; os salvaram de ser mais um nome acrescentado à longa lista dos seis milhões de vítimas do Holocausto.

Doze combóios levaram os novos "judeus turcos" para Istambul e salvaram-lhes a vida. Entre eles estavam judeus europeus sem qualquer ligação à Turquia.

Diplomatas turcos deram passaportes turcos a judeus que não eram turcos e assim lhes salvaram a vida durante a segunda guerra mundial.

Em entrevistas com os judeus que assim foram salvos, e os diplomatas e o seus familiares,  ficou patente que quando se quer agir, se pode evitar o mal.

E, sem dúvida, que a Turquia e estes seus diplomatas merecem um lugar entre os honrados no museu da pesquisa sobre o Holocausto, situado em Jerusalém Ocidental.

O filme  Turkish Passport” foi exibido pela primeira vez em Cannes, em 18 de Maio 2011, e concorreu ao Festival Europeu de Filme Independente na categoria de Documentário de 2012. Este projecto que durou seis anos foi um segredo bem guardado durante sessenta e seis anos. O segredo de como cidadãos turcos salvaram centenas de judeus.

O filme retira do esquecimento e coloca no lugar das boas memórias - esta história dos diplomatas turcos em função nos vários países europeus que salvaram muito judeus durante a perseguição dos nacional-socialistas, através de entrevistas, de material arquivado e de filmes históricos. 

Até 1 de Janeiro de 2011 tinha sido honrado - Ulkumen, Selahattin 1989
com o seu lugar entre 

Righteous among the Nations Honored by Yad Vashem

o copyright de todo os textos e fotos deste blog é da autora do blog, Cristina Dangerfield-Vogt, excepto quanto houver citação dos autores.

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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014

Êxodo dos Sefarditas de Espanha e de Portugal e o seu acolhimento no Império Otomano

Idade de Ouro do Judaísmo Otomano


No Portugal Post online 


www.portugalpost.de


Foi publicado um artigo meu de pesquisa sobre a ligação dos judeus sefarditas, expulsos da Penínsual Ibérica, com o Império Otomano e também sobre como o sistema juridico-político-administrativo otomano conferia direitos de protecção às suas minorias, aliás ancorados no Alcorão. O relacionamento entre os judeus sefarditas, entre outros, e os otomanos e, mais tarde, com os turcos da Turquia moderna, foi quase sempre privilegiado. Basta dizer que a Turquia foi dos primeiros países a reconhecer o Estado de Israel após a sua independência e que estes países têm desenvolvido cooperações bilaterais em város sectores.

Nesse contexto de minorias que sempre foram fiéis aos seus sultões e cujos direitos eram protegidos por instrumentos da ordem jurídica otomana, é fácil estabelecer um contraste entre as perseguições a que os judeus estiveram sujeitos na Península Ibérica e no resto da Europa, ao longo dos séculos, e a protecção que usufruíram naquele grande império.

E que assim continue!...


Para ler o artigo clique no link 


http://www.portugalpost.de/2014/05/21/o-%C3%AAxodo-portugu%C3%AAs-para-o-imp%C3%A9rio-otomano/


publicado por Cristina Dangerfield - Jornalista às 15:58
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Sexta-feira, 7 de Março de 2014

Sefarditas Salvos pelos Sultões Otomanos


copyright ©  Março de 2014 Cristina Dangerfield-Vogt

Istambul, esta cidade entre dois continentes, Europa eÁsia, entre o Ocidente e o Oriente, vive desde há muitos séculos omulticulturalismo e soube vivê-lo e aproveitá-lo naquilo que ele tem de melhor- a tolerância e o enriquecimento dos povos que nesta cidade viveram e vivempar a par um quotidiano nem sempre fácil de negociar, mas no todo, bemsucedido. Tem sido porto de abrigo para muitos refugiados e perseguidos pelaintolerância religiosa, étnica, política, para aqueles que fogem das guerras,recentemente da Síria, e outras catástrofes criadas pela humanidade. 


NaTurquia - Há um longa Tradição de Tolerância 

Judeus salvos porturcos no holocausto é uma história comovente mas que se situa num vasto lequede muitas outras histórias de tolerância que caracterizam a história do povoturco e otomano. (ver post anterior)

A tradição de darasilo e garantir refúgio aos Judeus perseguidos numa Europa intolerante teveinício no tempo dos sultões otomanos, quando os Reis Católicos de Espanha,através do decreto de Alhambra, e, mais tarde, D. Manuel I de Portugal,ordenaram a expulsão ou a conversão forçada dos Judeus ao catolicismo. Acarnificina que se lhe sucedeu levada a cabo pela "Santa" Inquisição,como era designada, e os seus acólitos, de que se destaca o horrívelTorquemada, o inquisidor-mor espanhol, realizada ao longo de váriosséculos, resultou na fuga em massa dos judeus que conseguiram escapardaqueles países. Muitos deles encontraram refúgio no Império Otomano. 

O sultão otomano, Fatih Mehmed, que conquistou Constantinopla em 1453, chamouos judeus da Europa para o império. Mais tarde o sultão Beyazit II teráafirmado que o Rei Fernando de Espanha empobrecia o seu Reino para enriquecer oImpério Otomano. Esta frase, que ficou célebre, não se referiria às riquezasmateriais, mas sim à cultura e aos conhecimentos médicos, científicos, náuticos,matemáticos, filosóficos, linguísticos, etc. que muitos destes judeus levarampara o império otomano. Na corte otomana havia médicos judeus e algunssefarditas chegaram mesmo a ocupar cargos importantes na administraçãootomana. 

Um século mais tarde, um turista inglês que na altura visitara Istambul, teráafirmado que a capital do Califado teria a maior concentração de judeus nomundo, ou seja, cento e cinquenta mil, só em Istambul.

A convivência e a liberdade dos vários grupos étnico-religiosos só foi possívelsob um sistema de governação muito especial e que nessa altura era inexistentena Europa.

O sistema otomano dos "millet" - melhor traduzido por nações, previaum regime em que cada "millet" se auto governava: tinha os seustribunais próprios, em sede de direito da família e do direito civil, liberdade de culto, os seus programas escolares próprios, a sua língua,etc. O todo era coordenado pelo poder administrativo e  instânciasjudiciais superiores do império otomano, baseado na Sharia.  A segurançado estado e a cobrança de impostos era da competência da adminstração otomana.Contudo, havia isenção de alguns impostos para os "millet".Estesistema foi um exemplo de pluralismo religioso pré-moderno.

Mesmo hoje, na Turquia moderna, e apesar de muitos sefarditas terem partidopara Israel, vários turcos de etnia judaica se destacam nas áreas das artes edos negócios. Izzet Pinto é sefardita, descendente de judeus portugueses, e é odistribuidor de 'Muheteşem Yüzyıl' (Anos Magníficos - sobre Solimão, oMagnífico, e o seu tempo) uma telenovela turca que tem sido um sucesso nacionale internacional, com vendas para mais de 70 países, incluindo a China e aRússia, e vários milhões de espectadores. Um sucesso turco-sefardita já que odistribuidor tem desempenhado um papel fundamental na divulgação internacionaldeste "dizi", a palavra para telenovela em turco!

O pluriculturalismo-etnico-religioso na forma dos "Millets" foi umacaracterística marcante do quotidiano no Império Otomano, tendo também muitosjudeus asquenazes fugido das perseguições do Leste da Europa procurado eencontrado refúgio junto dos otomanos. Esta tradição de tolerância tem-semantido na Turquia moderna e Istambul continua a ser a cidade das váriasnações, embora menos acentuadamente do que em tempos idos por razões da suahistória do século passado. As tensões que tiveram origem na política dospaíses ocidentais que pretendiam partilhar o território otomano entre eles,resultaram na guerra da independência para defender o país. A perda do império,que se desagregou e foi ocupado pelos aliados europeus, resultou num paísmoderno, a Turquia. O xadrez colonial criado pelos aliados, que procuravam matérias-primas,gerou  efeitos desequilibrantes para a região que ainda hoje se fazemsentir. Ata Türk, o fundador da moderna Turquia, salvou o país, que seconsiderava moribundo, de uma morte que parecia quase certa, e da partilha dosdespojos pelas potências europeias mais aguerridas. A ele se deve a Turquiamoderna.


copyright ©  Março 2014 Cristina Dangerfield-Vogt

publicado por Cristina Dangerfield - Jornalista às 11:38
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Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

A propósito do Dia Internacional do Holocausto





“Quem salva uma vida, salva o mundo”

Esta é uma frase comum ao Talmude e ao Alcorão

Começa assim o folheto de apresentação do filme "Passaporte Turco", do realizador BurakArliel, e que nos conta as histórias dos vários diplomatas turcos na Europa que, ao conferirem anacionalidade turca a muitos judeus europeus, os salvaram de uma morta certa; eles não foram mais um nome acrescentado à longa lista dos seis milhões de vítimas do holocausto

Doze combóios levaram estes judeus turcos paraIstambul e salvaram-lhes a vida. Entre eles, havia também judeus europeus sem qualquerligação à Turquia.

Diplomatas turcos deram passaportes turcos ajudeus que não eram turcos, salvando-lhes a vida durante asegunda guerra mundial.

Em entrevistas com alguns dos judeus ainda vivos que assim foramsalvos, os diplomatas que os socorreram e o seus familiares, ficou claro que quando se quer agir, se pode evitar o mal.

A Turquia e estes seus diplomatas merecem, sem dúvida, umlugar de destaque entre aqueles que são  honrados no Museu do Holocausto em Jerusalém pela sua ajuda ao povo judeu.

O filme "Passaporte Turco" lembra esta história - a história esquecida dos diplomatasturcos estacionados em vários países europeus que salvaram muito judeus durantea perseguição dos nacional-socialistas. Estas histórias de compaixão são ilustradas por entrevistas, excertos de arquivos e de filmes históricos.

“Turkish Passport” foi exibido pela primeiravez em Cannes, em 18 de Maio 2011

O filme concorreu ao Festival Europeu de FilmeIndependente na categoria de Documentário em 2012.

Este projecto de seis anos, revela um segredo bem guardadodurante 66 anos. O segredo sobre como cidadãos turcos salvaram centenas de judeus.




Righteousamong the Nations Honored by Yad Vashem

Ulkumen, Selahattin 1989
Até 1 de Janeiro de 2011

copyright © Berlim Janeiro 2014 de Cristina Dangerfield-Vogt



'No state involvement in film'

 

Unbeknownst to many, Turkish diplomats on duty aroundEurope saved hundreds of Jews during World War II by giving them Turkishpassports, enabling them to travel to safety in Turkey. This little known episodeis told in an independent documentary entitled "Turkish Passport",being promoted as finally revealing "a secret kept for 66 years".The film recountsmemories known mainly to 19 diplomats and the Jews they saved from German Nazideath camps. It is based on testimonies by witnesses and their relatives.
"To remember and never toforget," said Gunes Celikcan, 30, one of the producers, as he talked aboutwhy the film was made.  
"There is not much about what theTurks did during that period of history," Celikcan told AFP, as Turkey remainedneutral during World War II.  
He said the diplomats saved around 2,000Jews from the Holocaust but the exact figure is unknown. "We wanted toshow this for the very first time and commemorate those diplomats," noneof whom survive today, he said. The docudrama directed by Burak Arliel wasfirst shown at the Cannes Film Festival in May. It has since been screened in Istanbul and other Turkish cities and made the rounds offestivals in the US and Europe. And though the buzz is quiet, it's building – andnot all is favorable.
 Celikcan said the film hasbeen six years in the making and "has nothing to do with the changingpolitical spectrum".  But not all agree, includingformer Israeli cultural attaché in Turkey Batya Keinan. "The Turkish pressoffice is using the movie for propaganda," Keinan said. "They aretrying to say 'we are good people who protected Jews in the Holocaust andPalestinians now, and yet you shoot at us.' Shame on you." The commentshave angered the movie's backers. "This film is not propaganda. ... Thereis no state involvement," said Asli Sena Genc, a representative for the Istanbul promoters."This is a historical fact." Celikcan said the Turkish foreignministry gave the filmmakers access to official archives, but ministryofficials told AFP the film was a private initiative and the ministry made noofficial contribution. The docudrama recounts how the diplomats, includingambassador to Vichy France Saffet Arikan, found a way out for Turkish andforeign Jews, sending them to Istanbulon 12 trains at different points during the war. Behic Erkin, Turkey'sambassador to Paris from 1940-43, and KudretErbey, consul-general in the German city of Hamburg from 1940-45, were also involved."Turkish diplomats did their best to save Jews amid the raging brutalityagainst Jews during World War II," said Naim Guleryuz, a historian andonsultant on the film who heads a Turkish foundation that promotes the historyand culture of Turkish Jews. "This part of the story is actually known byhistorians but we wanted to make it public knowledge through thisdocumentary," he said. Researchers went to theUnited States, Israel, Franceand Germany,tracking down survivors or their relatives, some of whose tales are told on thefilm's official website. In one, Arlette Bules recalls when her father wasarrested by the Germans and sent to the internment camp of Drancy,outside Paris."Mymother immediately went to the Turkish Embassy and asked for help rescuing myfather. Thanks to the letters written by the ambassador, my father wasrescued," she said. Celikcan recalls another testimony about a Jewishfather who called his two daughters to his deathbed after the war. "Hetold them 'never forget that it was the Turks who saved us' and then diedmaking a military salute."


Written in January 2012


publicado por Cristina Dangerfield - Jornalista às 08:19
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Quinta-feira, 22 de Agosto de 2013

Istambul - Üsküdar

© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt


Viajar em Istambul pelo lado daAnatólia é descobrir uma outra cidade, mais genuína, e longe do turismoquotidiano que se passeia por aquele pequeno monte do Palácio dos Sultões dolado europeu desta maravilhosa cidade.

Descobrir-lhe os cantos e os segredosmesmo, só é possível com os istambulenses que vivem quotidianamente nestacidade que foi a capital de impérios.

Esta metrópole de 14 milhões dehabitantes, número oficial, estende-se a perder de vista, e o trânsito é umpesadelo de todos os dias.

Ao longo dos séculos viveram aquipacificamente, lado a lado, as três religiões do Livro, com alguns desencontrosmenos felizes. Mas, em geral, e se compararmos com a intolerante Europa da IdadeMédia e, mais tarde, da Inquisição, e já no séc. 19, a dos progroms eslavos, e por fim, a do Holocausto, estacidade, que foi Bizâncio, e depois Constantinopla, e que é Istambul desde a conquista otomana em 1453, foi, e é, um exemplo de convivência e tolerância entre as nações e asreligiões.

A sua arquitectura, música e culináriareflectem isso mesmo, o cruzamento e a passagem das diversas culturas comsimbioses bem-sucedidas. O filme "Crossing the Bridge - the music of Istanbul" do realizador germano-turco, Fatih Akin, compartilha com o seu público esta riqueza cultural. 

Istambul situada a cavalo entre a Europa e a Ásia, ou a caminho daEuropa ou do Médio Oriente, no Ocidente para uns e no Oriente para outros, esta cidade que vive em espargata cultural, é uma diva temperamental que nos planta a tentação de lhe descobrir todos ossegredos. E assim nos enfeitiça como uma odalisca com os seus muitos movimentos ondulantes para lhe dedicarmos uma vida inteira, que sabemos nunca chegará para a desvendar totalmente! Istambul que tal como Lisboa se espalha por sete colinas frente a encontros de águas marítimas (e doces no nosso caso).

© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt

Atravessamos do lado europeu para oasiático de vapur e atracamos no iskele de Üsküdar. O nossoobjectivo é fazer turismo naquele bairro e, por fim, seguir a sinuosa margem nosentido do Mar Morto até Beykoz (isto ficará para outro "post").


A pé por Üsküdar


© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt

Üsküdar é descrito por alguns como um município da grande Istambul algo conservador (o AKP foi o partido mais votado nas últimas eleições locais). Mas a política não é reconhecível numa primeiravisita, ou talvez sim, no investimento que se tem feito na reabilitação do seu passado otomano. Üsküdar é o ponto de encontro de cacilheiros, dolmuş, autocarros de e para todos os pontos da cidade. O enorme estaleiro de obras da linha de metro com destino a Kartal desfeia o passeio marítimo temporariamente. Osistambulenses deslocam-se seguros e pacientes entre os vários meios detransporte acessíveis nesta sua vida de grande metrópole.
© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt

O palácio de Mihrimah filha do sultão Suleimãoe da sultana Hürrem, as fontes, as mesquitas, as livraria e os cemitérios otomanos dobairro surpreendem e deslumbram os visitantes. A maestria e a originalidade doarquitecto Sinan são imediatamente reconhecíveis neste conjunto arquitectónicode grande beleza e concentrado num espaço relativamente pequeno (embora a sua população atinja os 535 mil habitantes segundo dados de 2012). 


© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt


As esplanadas junto ao mar convidampara se tomar um çay ou um türk kafesi seguido de um eventual fal okumak, que nos falará do futuro lido numas borras de café deixadas no fundo da chávena,enquanto se observa os muitos pescadores de braços prolongados por canas depesca e que, pacientemente, povoam o passeio marítimo que se estende por váriosquilómetros. Os istavrit, ismarit, sardalya dão os últimos suspiros nos baldesdos balıkcılar bem sucedidos. Em pano de fundo, sucedem-se por via marítima, oscacilheiros, os vapur e os deniz otubusleri, os cruzeiros, os barcosde recreio, e os navios de carga e os petroleiros que quando de casco vazio passamgigantescos, quais monstros marinhos, e que parecem saudar a kiz kulesi, ummarco das águas de Istambul, no que parece uma auto-estrada fluvial sempre àhora de ponta e um caos muito bem organizado!

© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-
vogt




Dondurma taze taze - apregoa o vendedor, mesmo ali ao lado, do que parece ser gelado Maraş, um gelado mais sólido do que o habitual, tipicamente turco, e que ao som dos pregões é partido com pancadas fortes – uhmmm...delicioso.


© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt

De repente toda aquela azáfama elinguagens ensurdecem e os olhares concentram-se num ponto do mar. Alguémdiz maravilhado - Yunuş bak, orada! Seguimos-lhe o interesse no olhar para ver ao longe uma família degolfinhos que se desloca na direcção dos Dardanelos para o Ege Denizi.

© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt

Um último tilintar da colher no copo em forma de túlipa do derradeiro chá açucarado da dezena que já consumimos e partimos pelo passeiomarítimo em direcção ao sol poente. 

Quiosques de snacks e bebidas nãoalcoólicas pontuam este passeio. Espalhadas pelos degraus largos que descem até ao mar, as almofadas otomanas servem de palco e repouso para os flaneurs que deambulam paralelamente ao mar. 

© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt


Passam véus e cabelos soprados pela brisa marítima de gentes de todas as idades, animadas oucontemplativas, tagarelando ou reflectindo, sentadas face àquela paisagemmítica. Em pano de fundo o som dos barcos cortando a água, o eco roncado dosnavios de grande porte, os barcos de patrulha, os petroleiros que parecem pormomentos engolir a Kiz Kulesi, numa azáfama incansável de ponto de encontro, cruzamento e partida de mundos diferentes. No meio do trânsito intenso e lento de "mirones", um grupo de homens dança halay ,acenando um lenço branco, ao som da música do Mar Morto que entoam sorridentes.

© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt

Do lado esquerdo, na colina, as yalılar, algumas já restauradas, embora os seus madeiramentos continuem a transpirar uzun, reflectindo por laivos o esplendor dos tempos passados e impondo-nos as suas lembranças devidas anteriores. Passear por Istambul é um constante deambular pelo presente sempre surpreendido pelo seu passado.

© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt

O horizonte tinge-se de vermelho, osol despede-se num até amanhã que queremos repetido, inşallah. As luzes iluminam a cidade com outro colorido e desvendam outras vidas urbanas. Os barcos iluminam-se. A lua e o seu yakamozsaúdam a longa e animada noite istambulense.

© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt

Um çingene aborda os passeantes. Um coelho e uma caixa de madeira com papelinhos coloridos vão-nos dizer da nossa sorte, por apenas uma lira turca. Um outro cigano aponta para balões coloridospousados nas águas escuras do mar e põe-me uma pistola na mão para lhes fazerpontaria. Sentado num banco corrido, um jovem dedilha música fasil num pequeno violino, mais à frente um vendedor apregoa  kumpir - e pelo ar espalha-se o perfume de batata cozida no forno, recheada com milho e ervilhas.


© Üsküdar  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt










A voz do muezzin ecoa lembrando o 5º vakit, a última oração do dia!

Iyi geceler! 

Canção de Üsküdar

http://www.youtube.com/watch?v=SymcEAeYGOw


Türkünün Sözleri

Üsküdar’a gider iken aldı da bir yağmur
Katibimin setresi uzun eteği çamur
Katip uykudann uyanmış gözleri mahmur
Katip benim ben katibin el ne karışır
Katibime kolalı da gömlek ne güzel yaraşır
Üsküdar’a gider iken bir mendil buldum
Mendilimin içine de lokum doldurdum
Katibimi arar iken yanımda buldum
Katip benim ben katibin el ne karışır
Katibime kolalı da gömlek ne güzel yar


GLOSSÁRIO

vapur - cacilheiro

iskele - cais

dolmuş - hopper

çay - chá

türk kahvesi - café turco

fal okumak - ler a sorte nas borras do café

balıkcılar - pescadores

deniz otobusleri -  barcos de transporte de passageiros

dondurma taze taze! - gelado fresquinho!

Maraş dondurması - gelado originariamente da região de Kahramanmaraş

halay - dança da região do Mar Morto

yalılar - casas de madeira

uzun - melancolia (bem descrita no romances de Orhan Pamuk)

inşallah - oxalá

yakamoz - luar reflectido no mar

çingene - cigano

kumpir - batata assada no forno recheada com milho cozido, cenouras e ervilhas refogadas e azeitonas

vakit - tempo (há cinco oraçãoes por dia que são designadas por vakit)

iyi geceler - boa noite


TODO O CONTEÚDO DESTE BLOGO ESTÁ PROTEGIDO POR DIREITOS DE AUTOR  nacionais e internacionais © copyright DE CRISTINA DANGERFIELD-VOGT (desde a data de início do blog)


todos os TEXTO E FOTOS neste post com ©  copyright de Junho de 2012 de cristina dangerfield-vogt

all photos and text in this post are protected by  ©  copyright June 2012 cristina dangerfield-vogt






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Terça-feira, 30 de Outubro de 2012

...



in TRT English - 30th October 2012

Turkey's Prime Minister Erdoğan arrived today in Berlin and during his visit will inaugurate the new Turkish Embassy building in Tiergarten, which is considered to be the biggest of all Turkish embassies in the world.

"ERDOĞAN TO LEAVE FOR GERMANY TODAY

Turkish Prime Minister Recep Tayyip Erdoğan will depart for Germany on Tuesday.

Erdoğan to leave for Germany today
 
Posted 30.10.2012 07:40:39 UTC
Updated 30.10.2012 09:18:34 UTC
Within the framework of a two-day visit to Germany, Premier Erdoğan will visit Berlin today and attend inauguration ceremony of the new Turkish Embassy building in that city.
Turkish Foreign Minister Ahmet Davutoglu and his German counter part Guido Westerwelle will also be present at the opening ceremony of the new Embassy building in Berlin.
Erdoğan then will deliver a speech at the Institute of Berlin.
On Wednesday, Mr. Erdoğan will meet German Chancellor Angela Merkel.
Syrian crisis is expected to be taken up by the duo during their meeting in the German capital.
Hence, problems of Turkish citizens living in Germany as well as the process for Turkey's bid for the European Union membership will also be discussed at the planned meeting."


in Haaretz 30th October 2012
Turkey's Berlin embassy moves back into its WWII home

Recep Tayyip Erdogan is scheduled for a 2-day visit in Germany, where he will also meet Angela Merkel to discuss the civil war in Syria.


epa03451253 An exterior view of the new Turkish Embassy in Berlin, Germany, 29 October 2012. The new building of Turkey's representation in Germany will be officially opened by Turkish Premier Erdogan on 30 October 2012.  EPA/MICHAEL KAPPELER
epa03451253 An exterior view of the new Turkish Embassy in Berlin, Germany, 29 October 2012. The new building of Turkey's representation in Germany will be officially opened by Turkish Premier Erdogan on 30 October 2012. EPA/MICHAEL KAPPELER
Prime Minister Recep Tayyip Erdogan was to inaugurate a new Turkish embassy in Berlin on Tuesday, with the grandiose building underlining
his nation's ambition to become a member of the European Union.
The mission, Turkey's largest abroad, has been erected in the German capital's upscale Tiergarten embassy district, on the site where a Turkish
embassy stood until Allied bombardment late in World War II left much of the city in rubble.
The 30-million-euro (39-million-dollar) building, entered through a 16-metre-high copper-lined archway, is located between the missions of
South Africa and Italy.
Erdogan was to wrap up his visit to Berlin on Wednesday, when he meets Chancellor Angela Merkel to discuss the conflict in Syria. More than
100,000 Syrians have sought refuge in Turkey.
Some 2.5 million people living in Germany have ethnic Turkish roots. The two nations have close trade ties.
The embassy building is divided into two parts: the so-called "palace," which contains reception areas and the ambassador's office; and the
"city," which contains office space for 100 staff.
Between them is an atrium named after the Bosporus, the waterway separating the European and Asian parts of Turkey.
Thomas Hillig, one of the three architects, said the modern lines and grandeur of the building were an expression of Turkey's desire to join the
European Union, adding, "Turkey wants to show itself as a modern, open nation."
Turkish ornamentation on the building includes the national logo and more subtle features such as a traditional Islamic pattern known as girih
interlacing, which is engraved on the window glass.
"It's meant to look Turkish and not be just a faceless block," Hillig said.
Tiergarten was picked as the city's embassy neighborhood under the Nazis, when the architect Albert Speer was commissioned to remake the
city and the Axis allies Italy and Japan built their embassies there.



publicado por Cristina Dangerfield - Jornalista às 11:51
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Domingo, 12 de Agosto de 2012

Turquia: Ramadão 2011 e 2012



  © 2012 Berhamkale - Assos


Estamos no Ramadão, Ramazan (tr) Ramadan (ar). Ou seja, o período de jejum e oração para os muçulmanos, interrompido pela Iftar, que é a refeição tomada depois de o sol se pôr, após o Muezzin ter chamado os fiéis para a 4ª oração do dia. Em alguns lugares da Turquia, soam os tambores que anunciam o fim do jejum ao cair da noite. Por volta das três horas da manhã, o Muezzin acorda os crentes com uma melodia lindissima, a ilahi, da qual existem várias versões; antes de se dar novamente início ao jejum do dia com o nascer do sol, é tomada a refeição da madrugada - a Suhar. Pouco depois, o Muezzin chama para a 1ª oração do dia, o 1º vakit, dos 5 Vakti, os cinco tempos de oração ao longo do dia. Inicia-se o jejum do dia. Muitos se perguntam o significado deste jejum. Foi neste período que Allah, que é apenas a palavra árabe para Deus, tal como em inglês se diz God e em francês Dieu, começou a revelar a mensagem do Alcorão a Maomé e é precisamente esta Revelação que se comemora durante o Ramadão. Este mês é ainda um período de reflexão sobre vários aspectos religiosos e sobre a vida que vivemos durante a passagem terrena. O jejum, que implica não comer nem beber nem fumar durante o dia, inter alia, serve para lembrar, sentindo na própria pele, o que, porventura, sentem os desprovidos, famintos e sedentos; é também um mandamento ou pilar do islão fazer caridade aos pobres, especialmente nesta altura do ano. As crianças, os doentes, as grávidas, os viajantes estão dispensados de jejuar, embora, no fundo, cada um possa decidir por si próprio se irá ou não jejuar, já que cada um é responsável por si e por escolher o relacionamento com Allah que lhe está mais perto do coração. É também possível oferecer um certo valor em dinheiro pelos dias de jejum não cumpridos, o que pode ser decidido por consulta a um imam, e essa importância será canalizada para caridade. Claro que, no Islão, há muitas vertentes, tal como no Cristianismo e no Judaísmo, e haverá uma variedade significativa de interpretações possíveis sobre este e outros assuntos religiosos conforme o islão em que se nasceu ou se escolheu praticar. A consulta dos Hadith, ou seja os comentários dos exegetas do Alcorão, pode ser preciosa em questões de interpretação.



© 2012 Sultan Ahmed Istambul


© 2012 Sultan Ahmed Istambul

São várias as iguarias típicas desta época e as donas de casa, e também os cozinheiros, excedem-se nos seus dotes culinários para quebrar o jejum depois do pôr-do-sol. Durante o Ramadão, as famílias visitam-se muito e praticamente todos os dias há convidados nas famílias turcas. A azáfama do Ramadão é indescritível. O dia passa-se em preparações para a Iftar e nas orações. Em muitas aldeias turcas não se trabalha porque é difícil jejuar, mas nem todos jejuam, nem todos deixam de trabalhar. Aproxima-se o fim deste período muito importante no calendário muçulmano e a época festiva que se segue é o Şeker Bayram (tr),  o Festival do Açúcar,  ou o Eid al Fitre (ar), isto é, a grande celebração que assinala o fim de Ramadão e que é celebrada por todos, tenham ou não cumprido o jejum. Os não-muçulmanos também são convidados para a Iftar e para as celebrações do fim do Ramadão, mostrando os turcos a sua atitude de tolerância centenária e, sobretudo, a sua enorme hospitalidade. Assim como no Natal se deseja um Santo Natal aos cristãos, aos muçulmanos deseja-se Ramazan Mübarek olsun ou Hayırlı Ramazan (tr), Ramadan Mubârak (ar). Findo o Ramadão, é de tradição desejar aos familiares, amigos ou mesmo estranhos as Boas ou Santas Festas: Iyi Bayramlar (tr), ou Eid Mubârak ou Eid Saíd (ar) pessoalmente, ou por cartão ou postais com os motivos festivos da época.

É tempo de celebração, de amizade e de solidariedade com os mais desfavorecidos e de não esquecer de dizer àqueles de quem se gosta e se ama, que gostamos deles e os amamos.

O DIB, entidade religiosa estatal turca, e outras organizações, preparam banquetes públicos na rua para quebrar o jejum à noite, como por exemplo, nas imediações da mesquita de Sultan Ahmed, que fica no centro monumental de Istambul. No fim do Ramadão, muitos partem para umas merecidas férias. Neste ano de 2012 no corso de Istambul há um mercado com casinhas onde se pode comprar artesanato e artefactos tradicionais turcos aberto à noite. As ruas estão cheias de gentes de todas as idades e de todas as nações que passeiam pelo centro histórico de Istambul numa atmosfera intensa de festa. A lua cheia espreita por detrás de uma das torres da Mesquita Azul e os fiéis e os turistas entram e saem de uma das mais bonitas e emblemáticas desta metrópole.

Conhecer as festividades das outras religiões aproxima-nos das pessoas com crenças e culturas diferentes das nossas e afasta-nos dos profetas da desgraça que apostam numa interpretação negativa e nefasta da Humanidade, insistindo na faceta do conflito das civilizações. O desconhecimento do outro promove a xenofobia, enquanto o conhecimento das outras culturas nos aproxima uns dos outros! Na realidade, temos muito mais em comum do que aquilo que nos afasta e, no caso das três religiões abraâmicas, até temos o mesmo patriarca, ou seja Abraão...

Por isso não se esqueçam de dizer aos vizinhos ou amigos muçulmanos nos próximos dias: Ramazan Berekt Olsun ou Ramadan Mubarek e no fim deste período de reflexão -  Iyi Bayramlar ou Eid Mubârak ou Eid Saíd!...







E, a propósito festas e culinária, deixo uma sugestão de çorba, ou seja, sopa em turco, que adoro, e até as há, instantâneas:



© 2011  Pacote da Maggi sobre um mapa de Istambul no cruzamento entre a Europa e a Ásia


o seu ingrediente principal é a Tarhana que é feita com farinha, yogurte, salça - molho de tomate turco, pimento vermelho, cebola, sal e fermento.

Em muitas aldeias prepara-se a Tarhana a partir destes ingredientes que são amassados até obter uma massa uniforme, que se põe a secar ao sol até ficar em pó; isto é um método de preservação natural que permite saborear esta sopa deliciosa mesmo no inverno.

Aqui vai a foto de uma das fases de preparação da Tarhana Çorbası numa aldeia turca



© 2011  Turquia: Preparação da massa de Tarhana na açoteia de uma casa de aldeia

e para abrir o apetite para as celebrações, aqui vão algumas fotos para espreitar e antever os sabores da culinária turca



© 2011  ciğ boreği e biber dolması






© 2011

 




 © 2011 yoğurtlu semizotu


e, para terminar, uma foto do 3º lugar mais sagrado para o Islão, e ainda o lugar santissimo do Cristianismo e do Judaísmo, tirada no bairro árabe de Jerusalém antiga durante o Ramadão. De notar que a uns metros à frente há uma das estações do calvário de Jesus, logo seguida de mesquitas e do complexo austríaco católico - uma rua ecuménica no bairro árabe de Jerusalém, que é árabe: muçulmano e cristão. Por esta mesma rua, passam rápidos os ultra-ortodoxos judeus em correria entre o Muro das Lamentações e o Bairro ultra-ortodoxo de MeaShearim, situado fora das muralhas, e também os muçulmanos que, nesta altura do ano, visitam o recinto da mesquita Al Aksa e da Cúpula da Rocha onde o patriarca Abraão esteve disposto a sacrificar um dos seus filhos, se Deus, Allah, não tivesse interferido noutro sentido. As ruas estão iluminadas durante todo o período do Ramadão e as ruas cheias de famílias árabes numerosas que passeiam em trajes de festa depois da Iftar - passar por lá nesta altura especial do ano, é uma experiência fantástica e inesquecível e, assim, aqui fica uma pequena memória fotográfica.

 

© 2011  Jerusalém ou Al Kuds - a Sagrada, durante o Ramadão


Desejo a todos:

Ramazan mubarek olsun (tr)

Ramadan Mubarak (ar)

e a partir do dia 20 de Agosto, data em que termina o Ramadão de 2012

İyi Bayramlar (tr)

Eid mubârak e Eid Saíd (ar)


Para quem gosta de música, deixo um exemplo das canções Ilahi

http://www.youtube.com/watch?v=uClz3vSDCQk


copyright © 2011  do texto e de todas as fotos de Cristina Dangerfield-Vogt, com actualização de 12.08.2012

publicado por Cristina Dangerfield - Jornalista às 19:53
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

Turquia: em Lisboa





http://www.youtube.com/watch?v=XDhcjuH835Y&feature=youtu.be

de Başar DiKiCi-Dağlar ile taşlar ile-NEY



O Ney é um instrumento de sopro feito de cana e muito especial no Médio Oriente e, particularmente, na Anatólia, na Turquia; é um instrumento milenar que se vê nas pinturas egípcias; foram encontrados neys em escavações arqueológicas em Ur, no Iraque, o que indica que o Ney é tocado há já 4 ou 5 mil anos; quando alguém deixa o nosso mundo e parte para o outro, o da luminosidade, sopra-se o ney para dar asas ao espírito e recita-se versos em persa e em árabe. Note-se que se diz, soprar o ney, e não, tocar! 

O Ney é o instrumento por excelência dos sufis, das ordens de mevlevi, utilizado nas suas cerimónias religiosas - Sêma. A sua música é como o vento que sopra pelos canaviais, ora acariciante, ora agreste, por vezes sussurrante outras voluntarioso, e que nos canta as melodias sopradas e modificadas pelas fissuras e buraquinhos resultantes da erosão natural e do passar do tempo. A sua música é um lamento de saudade pelo Criador.

Na Turquia, o Ney tem sete buracos: seis na frente e um no verso. A sobreposição dos dedos nestas aberturas e a forma de soprar modifica os sons que formam as melodias.

Ele foi arrancado da mãe terra, cortado dos canaviais e por isso se lamenta,

nas palavras do poeta e filósofo Jalal Al-Din Al-Rumi no "Mathwani," escritas há  uns 700 anos

" Oiçam nos lamentos do Ney
as suas estórias sobre a separação,
"Desde que me arrancaram ao canavial,
 homens e mulheres fazem ouvir os seus queixumes
em uníssono com os meus,
mas eu quero um coração que esteja destroçado,
destroçado pela separação,
para eu poder explicar o meu anseio,
de regresso à minha fonte"


tradução livre do inglês

Espero ter-lhes suscitado o interesse por este maravilhoso e espiritual instrumento.

p.s. O Ney esteve em Lisboa e vai voltar pela mão da Associação de Amizade Luso-Turca.




copyright © 2011 cristina dangerfield-vogt



publicado por Cristina Dangerfield - Jornalista às 14:42
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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Turquia: Büyük Husun, uma aldeia turca

Dünyanın en güzel ülkeri - Türkiye - yaşasın!


©2010 Sultan Ahmed Cami - Istambul



© 2010 Cabeça da Medusa na Cisterna, Istambul



© 2010 Vista Panorâmica para o  Mar Egeu, como pano de fundo a ilha de Lesbos, do alto de Berhamkale



© 2010 Berhamkale



© 2010 Karlos Yerinde, ao fundo a ilha de Lesbos



© 2010 Mar Egeu no meu Paraíso sobre a Terra

Verão 2010 - Telavive - Istambul - Assos -

A saída do aeroporto de Ben Gurion, Telavive, foi complicada e desagradável. As tropas de elite israelitas tinham abordado um navio turco com activistas que rumavam na direcção de Gaza.  Nos incidentes que se seguiram nessa operação, foram mortos 10 turcos que se encontravam a bordo. As relações entre os dois países vinham a esfriar há algum tempo deste a Guerra de Gaza em finais de 2009 princípios de 2010, a que se juntaram incidentes diplomáticos e retirada do embaixador turco, e por fim este último episódio, que acabou por pôr "on-ice" as relações entre a Turquia e Israel.

Encontravámo-nos "delegados" em Telavive por motivos de trabalho, mas não prescindíamos de forma alguma de passar as férias do verão no nosso país preferido. Os israelitas prosseguiam uma campanha de dissuasão dos seus cidadãos visitarem a Turquia, incentivando o boicote às viagens para Istambul, Izmir, Antália... E aqueles que, mesmo sendo estrangeiros, viajassem para aquele país, eram vistos como "traidores" no aeroporto, nas empresas, na sociedade. "Não têm medo de ir para a Turquia?"- perguntava-me o meu cabeleireiro cujos pais tinham vindo de Marrocos para a "Terra que lhes foi prometida". Os palestinianos continuaram a viajar para a Turquia, também o país preferido deles, e nós também. Na sala de espera, nós e os palestinianos esperávamos para entrar para a manga - sorrindo-nos mutuamente um sorriso de compreensão! No avião da Türk Hava Yolları havia muitos lugares vagos.

E voámos por umas semanas para o nosso Paraíso sobre a Terra: uma praia, uma aldeia e umas ruínas helenísticas nas encostas das montanhas Kaz e que parecem correr e querer precipitar-se no mar Egeu cujo horizonte é delineado pelo perfil da ilha de Lesbos em contra-luz solar.

A umas braçadas da Europa, ainda não atingidos pelos requisitos da integração europeia, simultaneamente tão perto e tão longe, a vida por aqui ainda é natural, os frutos cheiram a pomar, as saladas são frescas e estaladiças e transportam em sim os sabores e os perfumes campestres. Neste canto do mundo, ainda longe dos (des)sabores e dissabores da agricultura genética, extensivamente praticada em Israel, o país dos milagres, segundo os seus habitantes, uns milagres que parecem perder o contacto com a natureza e a humanidade à medida que se multiplicam.

Quando se chega ao aeroporto internacional de Istambul, logo se respira outro ar, o clima é mais seco, as gentes mais calorosas. Mesmo os funcionários e polícias de fronteira sorriem umas boas-vindas simpáticas, o visto é dado com um sorriso apesar dos múltiplos vistos de entrada e de saída da Terra Santa, e da enorme "collage" que é o visto de residência israelita e que segura e rapidamente me devora as folhas livres de autorizações, entradas e saídas daquele país protegido por ferro e fogo do ferro e fogo. Ainda há tempo para nos informarem que já não há yeni turk lirasi, e que nos trocam logo ali o dinheiro antigo, se quisermos, pela nova moeda, a turk lirasi. Sorrimos, sorriem, agradecemos, sorriem, não tem de quê, sorrimos, sorriem um bom dia e uma boa estadia, sorrimos um “teshekur”, sorriem um não tem de quê.

Como ainda temos um dia pela frente antes de partir para o nosso pequeno paraíso perto de Tróia, apanhamos um táxi pedindo ao taxista que siga pela “sahil yolu”, a marginal istambulana, que por si só vale uma visita, e seguimos e subimos até ao centro e começamos a visita turística pela nossa já conhecida mesquita do Sultão Ahmed construída há alguns séculos atrás.

A seguir atravessamos a praça do corso limitada na sua extensão pelo obelisco egípcio e seguimos para a cisterna subterrânea, uma obra fantástica dos tempos de Bizâncio. A Medusa olha-nos ameaçadora de cabeça virada e persegue-nos com o olhar, mal de nós se por milagre ela nos olha nos olhos directamente e nos deixa petrificados.


Saímos ofuscados  pela luz do sol poente, olhamos a Aia Sofia, que foi construída como uma igreja, mais tarde transformada pelos otomanos numa mesquita e, actualmente, um museu testemunho da riqueza cultural do passado entrelaçado com o presente desta bela cidade.

Dirijimo-nos para o café guiados pelo perfume adoçicado dos narguilés, ou sisha como é conhecido  este prazer muito oriental e relaxante na Europa, onde nos sentamos a desfrutar da vista fabulosa para a mais bela mesquita do mundo. Temos a sorte de ouvir o muezzin, o okuyan ezan, que lê e canta os louvores a Allah e nos relembra que a vida não é só uma "rat race" dominada por interesses monetários.

Allâhü ekber Allâhü ekber Allâhü ekber Allâhü ekber Eşhedü en lâ ilâhe illallah Eşhedü en lâ ilâhe illallah Eşhedü enne Muhammeden Resûlullah Eşhedü enne Muhammeden Resûlullah Hayye ale's-salâh Hayye ale's-salâh Hayye ale'l-felâh Hayye ale'l-felâh Allâhü ekber Allâhü ekber Lâ ilâhe illallâh

A voz do muezzin da mesquita do sultão Ahmed eleva-nos às alturas, a chamada dos fiéis continua numa sucessão de cânones clássicos, esvoaçando harmoniosamente em ritmo sagrado de minarete para minarete das mesquitas situadas  naquele centro histórico de Istambul.

A curiosidade dos turcos está muito longe do “cool” europeu. Os muitos habitantes da cidade que por aquela zona num domingo passeiam, não se atropelam  e têm tempo para perguntar aos estrangeiros que falam turco, o que sabemos ser uma raridade, de onde vêm, porque falamos turco, etc. É difícil não nos apaixonarmos por este país e pelas suas gentes que recebem o estrangeiro como um hóspede bem vindo na sua terra de abundância histórica, cultural e, contudo, generosa e sem soberba. Foram eles, os otomanos, que dominaram a Palestina durante vários séculos até os ingleses a terem tomado. Uma Palestina há vários séculos ocupada.

As minhas fotografias levantam apenas a ponta do véu que esconde a beleza oculta deste lindíssimo país...

hosça kal!
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publicado por Cristina Dangerfield - Jornalista às 14:30
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